sábado, 2 de julho de 2011

Movimentos sociais denunciam o fechamento de escolas no campo

Mais de 24 mil escolas no campo brasileiro foram fechadas no meio rural desde 2002. O fechamento dessas escolas demonstra o drástico problema na vida educacional no Brasil, especialmente no meio rural.

Após décadas de lutas por conquistas no âmbito educacional, cujas reivindicações foram atendidas em parte - o que permitiu a consolidação da pauta – o fechamento das escolas do campo representa um retrocesso no âmbito das políticas de educação do campo.

No Piauí, o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) denunciou, em sua Jornada de Luta realizada em maio/2011, que dezenas de escolas do campo estão sendo fechadas nos vários municípios do semiárido piauiense e os alunos estão sendo deslocados em transporte precários para as escolas urbanas.

O fechamento das escolas do campo além de causar um transtorno na vida dos alunos que tem que se deslocar em condições adversas para a cidade, traz grandes prejuízos para sua formação uma vez que o ensino oferecido nas escolas urbanas não discute sobre os problemas e a realidade sociocultural dos camponeses. Por conta disso, não preparam os jovens para construir alternativas de vida no campo, utilizando-se das potencialidades que existe no mundo rural.

Diante desse contexto, o MST lançou a Campanha Nacional contra o Fechamento de Escolas do Campo, que pretende fazer o debate sobre a educação do campo com o conjunto da sociedade, articular diversos setores contra esses retrocessos e denunciar a continuidade dessa política.

“O fechamento das escolas no campo nos remete a olhar com profundidade que o que está em jogo é algo maior, relacionado às disputas de projetos de campo. Os governos têm demonstrado cada vez clara a opção pela agricultura de negócio – o agronegócio – que tem em sua lógica de funcionamento pensar num campo sem gente e, por conseguinte, um campo sem cultura e sem escola”, afirma Erivan Hilário, do Setor de Educação do MST.

Essas escolas foram fechadas por estados e os municípios, mas o Ministério da Educação também tem responsabilidade. "Não se tem, por exemplo, critérios claros que determine o fechamento de escolas, que explicitem os motivos pelos quais se fecham, ou em que medida se pode ou não fechar uma escola no campo", aponta Erivan.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Ecoescola desenvolve projetos com Roça Orgânica em Pedro II


A Ecoescola Thomas a Kempis de Pedro II está desenvolvendo alguns projetos educativos voltados para a convivência com o semiárido tendo a roça orgânica como uma alternativa de fortalecimento da agricultura familiar sustentável na região.

O trabalho é desenvolvido com a participação dos alunos do 3º ano do Ensino Médio e tem como objetivo principal apresentar alternativas de produção orgânica na agricultura familiar na região sem o uso de agrotóxicos nem desmatamento nas propriedades, dentro de um planejamento estratégico visando uma produção eficiente no foco sustentabilidade ambiental.

Com incentivo da Ecoescola, os agricultores começam a mudar suas práticas agrícolas. Na comunidade de Barro dos Lopes, o senhor Oliveira já desenvolve quatro modalidades de plantio: todos na mesma área sendo uma parte aradada, uma área de toco (roça convencional de nossa região), uma área em leiras e uma outra no sistema roça orgânica. De acordo com o agricultor os resultados do trabalho com a roça orgânica é surpreendente devido ao rendimento e a qualidade da produção.

No próximo sábado (02/07), a Ecoescola irá desenvolver um dia de campo na comunidade Barros dos Lopes a fim de promover uma troca de experiência entre alunos, agricultores, técnicos agropecuária e professores acerca da roça orgânica e da agroecologia.

A Ecoescola Thomas a Kempis é uma instituição de ensino regular vinculada ao Centro de Formação Mandacaru, que é uma organização não governamental que atua na área da educação popular e da convivência com o semiárido.
Fonte: Neto Santos.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Festival de Inverno: um evento de negócio ou de celebração cultural?

O Festival de Inverno de Pedro II se consolida no cenário turístico como um dos principais eventos da área no estado, envolvendo a cada ano um número maior de turistas que buscam novas opções de lazer, entretenimento e diversão cultural. A cidade se transforma para oferecer aos visitantes um conjunto de atividades artísticas e culturais, bem como, a organização de trilhas e passeios aos pontos turísticos que oportunizam a contemplação das riquezas ambientais da região.

Durante o passeio pelas praças e ruas é possível identificar o crescimento no nível organizativo do evento e no número de empreendimentos econômicos criados a partir de sua dinamização turística. Às noites são repletas de gente bonita que exibem sua satisfação de está num espaço rico de contemplação da boa música e de encontro e reencontros afetivos. No entanto, uma coisa é curiosa, poucas são as pessoas da cidade curtindo o evento, contemplando as atividades artísticas e celebrando a vida cultural da cidade. Quando as encontramos expressam um sentimento de espanto diante das grandes produções culturais e ao mesmo tempo uma sensação de “peixe fora d’água” como se estivesse participando de um evento que não foi preparado para eles: “um evento para turista vê”.

Nas praças, nos deparamos com algumas exposições de produtos culturais que pouco dizem sobre a gente de Pedro II, seu mundo social e cultural. Mais uma vez prevalece a lógica do mercado e da produção de bens culturais padronizados e plastificados pela lógica das relações comerciais, limitando a criatividade e a inventividade nordestina e piauiense, que normalmente utilizam-se das artes para a expressão de suas práticas sociais, seus desejos sonhos e paixões.

É evidente os benefícios econômicos e até culturais que o Festival de Inverno traz para o município quando evidencia suas belezas e riquezas, fomenta a geração de renda para “alguns grupos sociais” e possibilita a troca de experiência espontânea entre nativos e visitantes nos encontros esporádicos entre um passeio e outro nas ruas e nos pontos turísticos.

Entretanto, diante desse cenário, ficamos nos questionando: em que medida esse “evento de negócio” contribui para o fortalecimento da vida cultural do município de Pedro II? Quais suas possibilidades de formação cultural? Ou será que estamos diante de mais um evento construído a partir da lógica capitalista que se utiliza das riquezas e das belezas culturais e ambientais do lugar sem oportunizar aos grupos locais as condições de ampliação do seu capital cultural, celebração dos seus saberes e tradições e o fortalecimento de suas identidades nordestinas e sertanejas?

O sertão nordestino é um dos mais ricos culturalmente com seus reisados, suas cantigas de roda, seus sambas de criolos, seus repentes, dentre tantas outras linguagens artísticas que expressam a vida e a alma de um povo singular e diverso. No entanto, saio desse Festival com a sede de conhecer a produção cultural dos jovens, das mulheres, dos negros, dos trabalhadores rurais, dentre tantos outros povos que coabitam e produzem culturas em Pedro II. Ou seja, o diferencial nestes festivais é a oportunidade que temos de viver e compreender as diferenças e diversidades que temos no estado e que não conhecemos ou apreciamos através dos veículos de comunicação e até mesmo do circuito cultural convencional.

Além disso, fico pensando por que um evento com tantas potencialidades e possibilidades de formação e trocas culturais não pode ser construído como um movimento cultural que se incorpore a vida das pessoas da comunidade, constituindo-se enquanto um espaço de celebração da vida? Um evento que possibilite aos jovens reinventarem suas vidas e seus sonhos através de um conjunto de atividades artísticas e culturais que perpassem as práticas educativas desenvolvidas nas escolas, nos movimentos sociais e nas próprias produções culturais locais?

Apesar de está na sua oitava edição, o Festival de Inverno de Pedro II ainda tem grandes possibilidades e potencialidades para se reinventar a partir das riquezas e criatividades do povo piauiense, superando os limites impostos pelo processo de mercantilização cultural, que nos impedem de conhecermos as diferentes práticas socioculturais produzidos nos vários cantos do município e do estado, negadas e silenciadas historicamente pela lógica do mercado cultural.

Esses questionamentos e reflexões nos levam a pensar no modelo de desenvolvimento implementado em nosso estado, no qual os interesses econômicos sempre estão acima dos interesses sociais e culturais, promovendo um distanciamento do povo de sua própria prática artística, enquanto atividade criativa, inovadora e subjetiva, que fortalece os laços de afetividade entre as pessoas e das pessoas com o lugar. E acima de tudo, de produção da arte e das manifestações culturais como elemento de celebração da vida, de afirmação das identidades culturais e, consequentemente da consolidação de projetos coletivos de vida.

Elmo de Souza Lima – Prof. da UFPI

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Jovens do semiárido piauiense recebem prémio da presidente Dilma


Quatro alunos de escolas públicas do município de Cocal dos Alves, localizado no semiárido piauiense, foram os vencedores da 6ª Olimpíada Brasileira de Matemática dos Alunos das Escolas Públicas (Obmep 2010), e receberam a premiação, nesta terça-feira (21), das mãos da presidente Dilma Rousseff, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
Os jovens de Cocal dos Alves levaram 12 medalhas, das quais, quatro de ouro das cinco que ficaram com os piauienses: José Márcio de Brito (15 anos), Antônio Wesley Vieira (13 anos), Clara Mariane de Oliveira (13 anos) e Sandoel de Brito Vieira (17 anos).
“Nem todos os estados conseguiram receber a medalha, mas só o município de Cocal dos Alves teve quatro premiados”, diz Sandoel Vieira orgulhoso, que concorreu pelo nível 3 na competição.
No total, 3.200 alunos receberam medalhas, sendo 504 de ouro. O município de Cocal dos Alves foi o grande vencedor da disputa. Duas escolas da cidade, com 5,6 mil habitantes, obtiveram 12 medalhas, sendo quatro de ouro.
Nessa edição concorreram 19,6 milhões de estudantes do sexto ao nono ano do ensino fundamental e das três séries do ensino médio de 44,7 mil escolas públicas de 99,16% dos municípios de todo os Estados e Distrito Federal.
Além da presidente Dilma, participam da cerimônia os ministros da Educação, Fernando Haddad, e da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.

sábado, 18 de junho de 2011

Caatinga piauiense vem sendo uma das mais desmatadas

Segundo o IBAMA, entre 2008 e 2009, o Estado, junto com o Ceará e Bahia respondem por 77% dos desmatamentos da caatiga.


Segundo levantamento do Centro de Sensoriamento Remoto do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (IBAMA), os Estados da Bahia, Ceará e Piauí lideram os desmatamentos do bioma Caatinga no Brasil.

De acordo com a pesquisa, divulgada nesta semana, entre os anos de 2008 e 2009, essa unidade biológica exclusivamente brasileira perdeu 1.921 km² de vegetação nativa. Essa área é equivalente a 200 campos de futebol.
O bioma está presente em 10 Estados brasileiros: Bahia, Paraíba, do Maranhão, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, de Pernambuco, Alagoas, Sergipe e no norte de Minas Gerais. A Caatinga está presente em 11% do território nacional.

Juntos, Bahia, Ceará e Piauí respondem por 77% das perdas dessa vegetação no período analisado. A Caatinga vem sendo extinta pelas constantes explorações ilegais de madeira para a produção de carvão e pela vulnerabilidade do bioma às mudanças climáticas.

Um levantamento recente aponta que a vegetação perdeu cerca de 46% da vegetação original. Muitas áreas que registram a presença da Caatinga também correm risco de entrar em processo de desertificação. 

A educação contextualizada com o semiárido apresenta-se como uma das ações estratégicas para o combate ao desmatamento na medida em que dissemina nas comunidades técnologias de convivência com o semiárido voltada à preservação da caatinga e à recuperação de áreas desmatadas. Em algumas escolas do semiárido piauiense os professsores vem desenvolvendo projetos educativos voltados para a conservação da caatinga a partir da conscientização dos alunos e de suas famílias quanto ao cultivo agroecológicos que reduzem o desmatamento.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Desertificação é uma ameaça nos municípios do semiárido piauiense

O Nordeste deve ser uma das áreas mais afetadas do planeta com as mudanças climáticas. Os efeitos dessa mudança na região do semiárido já são visíveis.
De acordo com o professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Adeodato Salviano, no estado do Piauí as áreas susceptíveis à desertificação abrangem 173 dos 224 municípios do estado. 
A razão dos problemas são as queimadas, que destroem a vegetação nativa. A área acaba sendo utilizada para a criação de gado. Também o garimpo de diamantes no estado contribuiu para a degradação do solo. Uma das áreas afetadas pelo processo de degradação do solo, segundo o especialista, equivale a aproximadamente 800 mil hectares, e abrange 22 municípios, além de Gilbués. 
No entanto, Salviano acredita que a degradação do solo pode ser revertida e, ao contrário do que muitos pensam, "não é um processo oneroso". Algumas ações estão sendo desenvolvidas na região para reduzir a degradação. Uma delas é o projeto da Fundação Agente para o Desenvolvimento do Agronegócio e Meio Ambiente, patrocinado pela Codevasf/Ministério da Integração Nacional, que, segundo o professor, tenta recuperar uma microbacia hidrográfica com aproximadamente 8.900 hectares na região de Gilbués.
Neste trabalho de combate a desertificação o reflorestamento é uma das principais alternativas, tendo em vista que é uma ação capaz de trazer de volta a umidade a essas áreas degradadas e assim torna-se possível o que os cientistas chamam de antidesertificação.
A desertificação será é um dos temas pautados pelo II Eco Piauí, encontro que começa no próximo dia 16/06, no Rio Poty Hotel, em Teresina (PI). O evento é promovido pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) e pelo Sindicato dos Engenheiros do Estado do Piauí.
Devido à importância do tema para a construção de políticas de desenvolvimento sustentável no estado, o Fórum Piauiense  de Convivência com o Semiárido também criou um Grupo de Trabalho para discutir sobre o problema da desertificação no semiárido, bem como, propor e implementar ações voltadas ao combate a desertificação no estado.


Fonte: http://planetasustentavel.abril.com.br

terça-feira, 14 de junho de 2011

Ministra do Meio Ambiente determina proteção da Serra Vermelha no Piauí

A ministra do Meio Ambiente e presidente do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), IsabellaTexeira, assinou monção solicitando a intensificação das ações federais de proteção para Serra Vermelha, localizada no sul do Piauí, entre os municípios de Bom Jesus, Curimatá, Morro Cabeça no Tempo, Parnaguá e Redenção do Gurguéia (todos distantes cerca de 700 km deTeresina).

Desmatamento de madeira florestal

A área de floresta tropical, cerrado e caatinga da região da Serra Vermelha é considerada uma das regiões com maior biodiversidade do Nordeste, segundo pesquisas do Museu de Zoologia da USP, coordenadas pelo cientista Hussam Zaher. Em 2006 o próprio Ministério do Meio Ambiente tinha aprovado um projeto que iria desmatar cerca de 78 mil hectares da floresta nativa para produção de carvão vegetal, visando abastecer as industrias siderúrgicas do Brasil e do exterior.

O projeto chamava-se Energia Verde e foi paralisado definitivamente pela Justiça Federal, além de sofrer fiscalização do Ministério do Trabalho que descobriu uma série de irregularidades no empreendimento.


Desde então, o grupo responsável pela área, a JB Carbon S/A, pensa em implantar no local uma termoelétrica movida à lenha nativa para abastecer a região de Bom Jesus, o que segundo os ambientalistas, causaria os mesmos danos a floresta da região, além de contribuir para o efeito estufa com a emissão de fumaça na atmosfera.

Pelo documento publicado no Diário Oficial da União no dia 05 de maio de 2011, a presidente do Conama e ministra do Meio Ambiente acatou a solicitação do professor e biólogo Francisco Soares, da Fundação Rio Parnaíba, e determinou que a Polícia Federal, Ibama e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade realize investigações e operações de fiscalização da área no sul do Piauí. O texto, de certa forma, informa que o Piauí não tem feito sua parte na proteção da região.

Ministra do Meio Ambiente, IsabellaTexeira

Segundo o ambientalista e professor Francisco Soares, que é o único piauiense com cadeira no Conama, a medida vai contra as ações da Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Piauí, através do secretário Dalton Macambira, que "não respeita a lei da Mata Atlântica e continua licenciando projetos de carvoarias na região, inclusive dentro da Área de Proteção ambiental do Rangel, uma APA estadual nas imediações da Serra Vermelha", garantiu. 


Para o ambientalista, seria de extrema importância que o governador Wilson Martins (PSB), fizesse a substituição imediata do secretário. "Pelo menos até que tudo seja investigado. Se ao final ficar provado que Dalton Macambira é inocente, ele volta ao cargo", sugere o ambientalista.

O Ministério Público Federal do Piauí, através do procurador Tranvanvan Feitosa, também já tinha se reunido com a Polícia Federal alguns dias atrás para determinar fiscalizações e operações policiais na Serra Vermelha, visando combater a produção ilegal de carvão, o trabalho escravo, a grilagem de terras, ameaças aos pequenos proprietários e até a morte de ambientalistas.

Redação e fotos de André Pessoa