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quarta-feira, 7 de março de 2012

Paulo Freire é declarado patrono da educação brasileira


Em decisão terminativa, por unanimidade, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) do Senado, aprovou nesta terça-feira (6) o projeto de lei da Câmara (PLC 50/11), que declara o educador Paulo Freire patrono da educação brasileira. Caso não seja apresentado recurso para votação da matéria em plenário, o texto seguirá diretamente para sanção da presidente Dilma Rousseff.
O projeto, que teve como relator na comissão o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), é de autoria da deputada Luiza Erundina, que nomeou Freire como seu secretário de Educação, quando foi prefeita de São Paulo, a partir de 1989. Segundo a deputada, Freire, falecido há 15 anos, provocou então uma “verdadeira revolução educacional na cidade de São Paulo”.
Paulo Freire nasceu em Recife em 1921, ficou órfão aos 13 anos e enfrentou uma “infância difícil”, como observa a deputada na justificativa de seu projeto. Formou-se em Direito, mas nunca exerceu a advocacia. Foi em 1960 que desenvolveu um método “simples e revolucionário” de alfabetização de adultos. Durante o governo do presidente João Goulart, coordenou o Programa Nacional de Alfabetização, que tinha o objetivo de alfabetizar cinco milhões de pessoas.
O criador da “pedagogia da libertação” chegou a ser preso em 1964, exilando-se depois no Chile e percorreu diversos países, sempre levando o seu modelo de alfabetização, antes de retornar ao Brasil, em 1979, após a publicação da Lei da Anistia. A partir da década de 60, observou o relator do projeto, a “pedagogia da libertação” passou a simbolizar a contribuição de Freire ao pensamento pedagógico mundial.
"Paulo Freire é um dos brasileiros mais conhecidos no exterior. Um brasileiro que tem bustos em praças e é nome de rua em países da África e América Latina. Seus livros foram traduzidos para diversos idiomas e se transformaram em clássicos do pensamento relacionado à educação em todo o mundo. Houvesse um Prêmio Nobel para a educação, Paulo Freire possivelmente teria sido agraciado", disse Cristovam.
Fonte: Agência Senado

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Brincadeiras antigas são substituídas pelos jogos eletrônicos

Esconde - esconde, pique - pega, cinco-marias, brincadeira de roda, pular corda, lobo mau, escravos de jó, amarelinha e tantas outras brincadeiras que fizeram e hoje pouco ainda fazem alegria de muitas crianças.
É bem provável que dependendo da sua idade, você nem saiba de brincadeiras são essas, mas com certeza se perguntar a uma pessoa que já passou dos 20 anos, ela saberá.
Brincar na rua era pura diversão e o uso da criatividade e da imaginação faziam com que a alegria de várias crianças se juntasse em um único mundo.
Era saudável, era o momento de fazer novos amigos, um mundo totalmente divertido e que na época jamais poderíamos imaginar que hoje a bola seria trocada pelo computador, a boneca pelo celular e os carrinhos pelo vídeo-game. 
As brincadeiras se modernizaram, ficaram virtuais, tecnológicas e hoje em dia já não é preciso sair de casa (e não é tão seguro como anos atrás) para conhecer o vizinho ao lado e muito menos um novo amigo virtual que pode estar do outro lado do mundo.
Se falarmos nas brincadeiras de hoje, vamos falar do vídeo-game cada vez mais moderno, as bonecas virtuais e os jogos de futebol através de Wii.
É importante que a criança brinque, é através das brincadeiras que uma criança começa a se desenvolver.
A psicopedagoga Ângela Munhoz diz que “Brincar pode prender totalmente a atenção da criança. Há muito que explorar no mundo: forma, textura (áspero, liso, escorregadio) consistência (duro, macio) cor, gosto. Tudo deve ser explorado, sentido, cheirado, experimentado.”
Mais com a correria do dia a dia e com a tecnologia as crianças acabam se isolando dentro de casa, já que com um simples botão e um controle remoto é capaz de “viver” em vários mundos lá fora.
É fundamental que os pais tirem um tempo e leve a criança para passear, brincar ao ar livre, correr, pular. É coisa de criança, faz bem e isso faz com que esta criança passe a deixar o mundo virtual para conhecer o mundo real.
Aproveite o feriado do dia das crianças, não importa sua idade, brinque se divirta e mostre para a galerinha nova que é possível se divertir sem tecnologia.
Por Gabrielle Cunha

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Festival resgata cultura popular no semiárido piauiense


O I Festival de Sanfona de São Raimundo Nonato realizado no período de 25 e 28 de agosto, na cidade de São Raimundo Nonato, oportunizou a apresentação de artistas locais e a participação da comunidade, através da oferta das oficinas Literatura de Cordel, Acordo Ortográfico, Elaboração de Projetos e oficinas de Acordeom e de violão.
Com o intuito de estimular e promover talentos dedicados à interpretação instrumental da sanfona, disseminar o estilo musical e revelar profissionais, o I Festival de Sanfona de São Raimundo Nonato também está vinculado à agenda de Comemorações Oficiais do 1º Centenário do Município de São Raimundo Nonato e representa um novo marco na agenda cultural anual no mês de agosto.
O I Festival de Sanfona de São Raimundo Nonato incentivou à expressão de artistas tradicionais da sanfona, profissionais e amadores, valorizando a identidade cultural nordestina e contribuindo para a difusão do patrimônio imaterial pelo fomento ao Turismo Cultural aliado ao eco-turismo, já existente na região pela presença do Parque Nacional Serra da Capivara.
Durante o evento, tivemos as apresentações dos sanfoneiros da região, bem como, a participação de artistas já conhecidos no cenário estadual e nacional, a exemplo do comediante e cantor João Claudio Moreno, de Adelson Viana, Ivan Silva, Josué Costa, Chagas Vale e do grupo Valor de PI.
Para Cineas Santos, um dos coordenadores do evento, "o festival já nasceu grande por atender a uma aspiração dos são-raimundenses".
Fonte: http://festivaldesanfonasrn.blogspot.com

domingo, 17 de julho de 2011

Educando através da cultural popular do semiárido


Apesar dos avanços tecnológicos e do surgimento de inúmeros brinquedos “modernos”, as brincadeiras relacionadas com o universo da cultura popular do semiárido ainda se apresentam como um grande atrativo no mundo da infância.  

São brinquedos e brincadeiras que reforçam os laços de afetividade, amorosidade e companheirismo que se traduz numa característica marcante da cultura sertaneja e contribui na afirmação de suas identidades.

No entanto, percebemos que, cada vez mais, as escolas deixam de utilizar-se desses recursos como ferramentas pedagógicas que potencializam os processos de aprendizagem e contribuem de forma significativa na reafirmação das identidades das crianças e adolescentes do semiárido.

É fundamental que as escolas estimulem as crianças a conhecerem os contos, lendas e brincadeiras tradicionais como forma de ampliar a expressão imaginativa e a criatividade criança. Com esse trabalho, a escola possibilita o desenvolvimento subjetivo dos alunos através da compreensão do mundo simbólico que permeia as tradições culturais do sertão.

As crianças do semiárido trazem em sua alma cultural essa dimensão forte da dança, da cantiga de roda, do reisado, dentre tantas outras manifestações culturais que podem transformar as escolas num espaço de ressignificação da cultura popular e de promoção de novas aprendizagens no campo do conhecimento científico, utilizando-se da alegria, do encantamento e da beleza da cultura local. Ou seja, as escolas precisam promover atividades pedagógicas que permitam que as crianças se apropriem da ciência de forma mais alegre e dinâmica, promovendo aprendizagens significativas.

A educação construída através da cultura popular reafirma o papel das crianças e adolescentes enquanto sujeitos do processo ensino aprendizagem e o seu protagonismo enquanto cidadão, possibilitando a melhoria da autoestima desses jovens e a valorização do semiárido enquanto lugar de produção de cultura, ciência e desenvolvimento.

Como diz a música “Comida”, cantada pelo Titãs, “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte. A gente não quer só comida, a gente quer saída para qualquer parte...

Que possamos transformar as escolas do semiárido nesse espaço de celebração da vida, de produção novos saberes, de construção de novos sonhos e alegrias...
 Elmo Lima

terça-feira, 28 de junho de 2011

Festival de Inverno: um evento de negócio ou de celebração cultural?

O Festival de Inverno de Pedro II se consolida no cenário turístico como um dos principais eventos da área no estado, envolvendo a cada ano um número maior de turistas que buscam novas opções de lazer, entretenimento e diversão cultural. A cidade se transforma para oferecer aos visitantes um conjunto de atividades artísticas e culturais, bem como, a organização de trilhas e passeios aos pontos turísticos que oportunizam a contemplação das riquezas ambientais da região.

Durante o passeio pelas praças e ruas é possível identificar o crescimento no nível organizativo do evento e no número de empreendimentos econômicos criados a partir de sua dinamização turística. Às noites são repletas de gente bonita que exibem sua satisfação de está num espaço rico de contemplação da boa música e de encontro e reencontros afetivos. No entanto, uma coisa é curiosa, poucas são as pessoas da cidade curtindo o evento, contemplando as atividades artísticas e celebrando a vida cultural da cidade. Quando as encontramos expressam um sentimento de espanto diante das grandes produções culturais e ao mesmo tempo uma sensação de “peixe fora d’água” como se estivesse participando de um evento que não foi preparado para eles: “um evento para turista vê”.

Nas praças, nos deparamos com algumas exposições de produtos culturais que pouco dizem sobre a gente de Pedro II, seu mundo social e cultural. Mais uma vez prevalece a lógica do mercado e da produção de bens culturais padronizados e plastificados pela lógica das relações comerciais, limitando a criatividade e a inventividade nordestina e piauiense, que normalmente utilizam-se das artes para a expressão de suas práticas sociais, seus desejos sonhos e paixões.

É evidente os benefícios econômicos e até culturais que o Festival de Inverno traz para o município quando evidencia suas belezas e riquezas, fomenta a geração de renda para “alguns grupos sociais” e possibilita a troca de experiência espontânea entre nativos e visitantes nos encontros esporádicos entre um passeio e outro nas ruas e nos pontos turísticos.

Entretanto, diante desse cenário, ficamos nos questionando: em que medida esse “evento de negócio” contribui para o fortalecimento da vida cultural do município de Pedro II? Quais suas possibilidades de formação cultural? Ou será que estamos diante de mais um evento construído a partir da lógica capitalista que se utiliza das riquezas e das belezas culturais e ambientais do lugar sem oportunizar aos grupos locais as condições de ampliação do seu capital cultural, celebração dos seus saberes e tradições e o fortalecimento de suas identidades nordestinas e sertanejas?

O sertão nordestino é um dos mais ricos culturalmente com seus reisados, suas cantigas de roda, seus sambas de criolos, seus repentes, dentre tantas outras linguagens artísticas que expressam a vida e a alma de um povo singular e diverso. No entanto, saio desse Festival com a sede de conhecer a produção cultural dos jovens, das mulheres, dos negros, dos trabalhadores rurais, dentre tantos outros povos que coabitam e produzem culturas em Pedro II. Ou seja, o diferencial nestes festivais é a oportunidade que temos de viver e compreender as diferenças e diversidades que temos no estado e que não conhecemos ou apreciamos através dos veículos de comunicação e até mesmo do circuito cultural convencional.

Além disso, fico pensando por que um evento com tantas potencialidades e possibilidades de formação e trocas culturais não pode ser construído como um movimento cultural que se incorpore a vida das pessoas da comunidade, constituindo-se enquanto um espaço de celebração da vida? Um evento que possibilite aos jovens reinventarem suas vidas e seus sonhos através de um conjunto de atividades artísticas e culturais que perpassem as práticas educativas desenvolvidas nas escolas, nos movimentos sociais e nas próprias produções culturais locais?

Apesar de está na sua oitava edição, o Festival de Inverno de Pedro II ainda tem grandes possibilidades e potencialidades para se reinventar a partir das riquezas e criatividades do povo piauiense, superando os limites impostos pelo processo de mercantilização cultural, que nos impedem de conhecermos as diferentes práticas socioculturais produzidos nos vários cantos do município e do estado, negadas e silenciadas historicamente pela lógica do mercado cultural.

Esses questionamentos e reflexões nos levam a pensar no modelo de desenvolvimento implementado em nosso estado, no qual os interesses econômicos sempre estão acima dos interesses sociais e culturais, promovendo um distanciamento do povo de sua própria prática artística, enquanto atividade criativa, inovadora e subjetiva, que fortalece os laços de afetividade entre as pessoas e das pessoas com o lugar. E acima de tudo, de produção da arte e das manifestações culturais como elemento de celebração da vida, de afirmação das identidades culturais e, consequentemente da consolidação de projetos coletivos de vida.

Elmo de Souza Lima – Prof. da UFPI