quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Escolas realizam intercâmbio de experiência em educação contextualizada no semiárido

Os alunos e professores da Escola Municipal Antônio Tapety, localizada na comunidade Jardim realizaram, na última segunda-feira (14/09/2015), visita de intercâmbio de experiência na área da educação contextualizada no semiárido na Escola Municipal Liberato Vieira, situada na comunidade Brejo da Fortaleza, no município de Ipiranga do Piauí.
O intercâmbio teve como objetivo conhecer as atividades e os projetos educativos desenvolvidos pelos alunos e professores da Escola Liberato Vieira na área da Educação Contextualizada desde 2012. Os visitantes foram recepcionados pelos alunos da Comunidade do Brejo, na sequência a diretora Reginalda Alves fez uma apresentação do trabalho desenvolvido Escola, principalmente com relação à metodologia de trabalho adotada com a proposta pedagógica de contextualização das práticas educativas.
Durante a visita de intercâmbio, os alunos e professores tiveram a oportunidade de conhecer os espaços educativos utilizados pela equipe pedagógica da Escola Municipal Liberato Vieira, a exemplo da Horta Pedagógica e do Viveiro de Mudas, para o desenvolvimento das atividades educativas voltadas à reflexão crítica e a produção de conhecimentos acerca da realidade local.
Além disso, os professores da Liberato Vieira apresentam as atividades de estudos e pesquisas desenvolvidas pelo projeto interdisciplinar voltadas para o mapeamento das potencialidades socioeconômicas da comunidade.

Para a Coordenadora Pedagógica da Escola Municipal Antônio Tapety, Lucimar Mendes, o intercâmbio foi importante por que possibilitou a troca de experiências entre professores e alunos das duas escolas, bem como, serve de incentivo para o trabalho educativo que está iniciando na comunidade Jardim na perspectiva da educação para a convivência com o semiárido.
Este intercâmbio de experiência é parte do projeto de formação continuada de educadores/as desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação de Ipiranga em três escolas do campo, em parceria com a Universidade Federal do Piauí, através do Projeto de Extensão “Formação Continuada de Educadores no Contexto do Semiárido”, sob a coordenação do Prof. Dr. Elmo de Souza Lima.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

UESPI realiza Seminário de Educação do campo e Política Educacional

 A Universidade Estadual do Piauí (UESPI) e o Fórum Piauiense de Educação do Campo (Fopec) realizaram nos dias 09, 10 e 11 de outubro/2015, o Seminário de Educação do Campo e Política Educacional, no campus Torquato Neto em Teresina. O evento contou com a parceria do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e a Federação da Agricultura Familiar (FAF).
O Seminário teve como objetivos socializar os trabalhos realizados no contexto do Curso de Especialização em Educação do Campo (Cultivando a semente), discutir a realidade e os desafios da política de Educação do Campo no Piauí, além de aprofundar compromissos institucionais e organizativos em torno da Educação do Campo no Piauí.
A programação do Seminário foi composta por conferência, mesas de debates, apresentação de trabalhos científicos, intercâmbio de experiências, atividades culturais e exposição de produtos orgânicos da agricultura camponesa.
No primeiro dia, na abertura do evento, houve a Conferência “Educação do Campo e Política Educacional”, proferida pelo Chefe da Divisão de Educação do Campo do INCRA, : Nelson Marques Felix. Na manhã do segundo dia, o evento contou com a apresentação dos trabalhos de pesquisas desenvolvidos por alunos e professores na área da educação do campo.
Na tarde do segundo dia, houve o Painel: Educação do Campo e desafios na Implementação da Política. Durante o painel a Prof. Dra. Marli Clementino (UFPI) apresentou a Pesquisa Nacional sobre a Educação na Reforma Agrária. Em seguida, o representante da Superintendência do INCRA-PI, Manoel Oliveira, apresentou as atividades do PRONERA no Piauí, e Elisabeth Meireles, Diretora de articulação comunitária da SDR e o Prof. Elmo Lima da Universidade Federal do Piauí discutiram sobre os desafios que estão postos para a educação do campo no Estado.
Ainda no final da tarde do segundo dia, a professora doutora Maria Nalva Rodrigues da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) fez uma discussão sobre “Política da Educação do Campo: desafios e perspectivas”.
No último dia (11/09), os participantes farão pela manhã uma visita ao assentamento 17 de abril – localizado na BR-316, próximo ao município de Demerval Lobão, com o objetivo de conhecer a rotina do assentamento bem como a organização deles para a produção de melancia, milho, criação de suínos, dentre outras atividades.
Na parte da tarde, o evento contou com o painel: “Educação do Campo, Universidade e Movimentos Sociais” com a presença do professor doutor José Jonas Duarte da Costa, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Em seguida, os movimentos sociais fizeram suas intervenções com relação ao processo de articulação entre os movimentos sociais e as universidades para o fortalecimento da educação do campo no Piauí.
Durante o Seminário, dezenas de professores e alunos de cerca de 30 municípios da Universidade Estadual do Piauí – UESPI e da Universidade Federal do Piauí apresentam trabalhos de pesquisa ou relatos de experiências de atividades desenvolvidas com as escolas do campo no Estado.
Durante os três dias do evento, os movimentos sociais organizaram o “Espaço de Saberes e Fazeres da Reforma Agrária, na área externa ao Palácio Pirará, com as exposições e comercialização de produtos orgânicos cultivados nos assentamentos do Estado.
Para a professora Lucineide Barros, organizadora do Seminário, o evento “é um momento de discussão com gestores, pesquisadores, movimentos sociais e a própria universidade sobre a realidade da política de educação do campo. Vamos focar também nos desafios para avançar nas ações de educação do campo no Piauí”.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

RESAB realiza Curso de Formação de Formadores em Educação Contextualizada no Piauí

A Rede de Educação no Semiárido Brasileiro (RESAB) e a Universidade Federal do Piauí realizaram nos dias 21 e 22 de agosto/2005, a primeira etapa do Curso de Formação de Formadores/as em Educação contextualizada no Semiárido, voltado à capacitação de 25 educadores/as que irão compor o Núcleo de Formadores da RESAB no Piauí.
A proposta de formação está organizada em quatro módulos temáticos voltados à discussão, por um lado, dos aspectos sócio-históricos, políticos, econômicos e culturais do semiárido e, por outro, dos aspectos teórico-metodológicos e políticos pedagógicos que norteiam os projetos de educação para a convivência. Os módulos serão desenvolvidos a partir das seguintes temáticas:
Módulo I: Semiárido Brasileiro: aspectos sócio-históricos, geoambientais, políticos e culturais;
Módulo II: Educação Contextualizada no Semiárido: bases teóricas e concepções político-pedagógicas
Módulo III: Práticas educativas no contexto do Semiárido: referenciais teórico-metodológicos
Módulo IV: Currículo, cultura e conhecimento: estratégias de integração e contextualização dos projetos educativos
A metodologia de trabalho baseia-se na pedagogia freireana e na educação popular, tendo como eixo central a problematização das condições socioeconômicas, políticas e culturais do semiárido, bem como, dos pressupostos teórico-metodológicos que dão sustentação às práticas educativas desenvolvidas nas escolas do semiárido.
Nesta primeira etapa, o prof. Antônio Fonseca Neto, da Universidade Federal do Piauí, fez uma discussão sobre os “Aspectos históricos do semiárido brasileiro e piauiense” e a Profa. Liège Moura, da Universidade Estadual do Piauí, apresentou as “Bases Conceituais do semiárido brasileiro”. Em seguida, os participantes construíram um conjunto de recomendações e estratégias didáticas e pedagógicas para a formação de professores na perspectiva da educação contextualizada semiárido, assim como, assumiram o compromisso de iniciar este trabalho de formação nos seus municípios.
O Curso contou com a participação de 24 pessoas, oriundas da região de Picos, Valença, Pedro II, São Raimundo Nonato e Teresina. Os participantes são coordenadores pedagógicos de escolas públicas, educadores populares, professores universitários, técnicos vinculados a Secretaria Estadual e Municipal de Educação e estudantes do Curso de Pedagogia da UFPI, que atuam em projetos de educação contextualizada no semiárido no Piauí.
A atividade foi desenvolvida em parceria com a Universidade Estadual do Piauí (UESPI), Cáritas Regional do Piauí, Escola de Formação Paulo de Tarso, Secretaria Estadual de Educação do Piauí (SEDUC), Cooperativa de Produção e Serviços de Técnicos Agrícolas do Piauí (Cootapi), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Sindicato dos Servidores Municipais de Picos(SINDSERM-PICOS), Centro de Formação Mandacaru, Secretarias Municipais de Educação de Picos, Ipiranga e Itainópolis e a Emater – PI.

domingo, 9 de agosto de 2015

Escolas Famílias Agrícolas se destacam entre as melhores do país no Enem

Estudo da realidade

No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2014, as Escolas Familiares Agrícolas estão entre as melhores instituições privadas do país que atendem alunos de nível socioeconômico baixo ou muito baixo. Os dados do Enem por escola foram apresentados no último dia 05 de agosto pelo Instituto de Pesquisas e Estudos Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Elas fazem parte do recorte do Inep de escolas privadas que atendem alunos de nível baixo ou muito baixo, ou seja, os mais vulneráveis socialmente.
O ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, disse que foi uma surpresa para o Ministério da Educação (MEC) e o Inep o destaque dessas escolas no Enem. “Não sabíamos da grandeza do trabalho delas [das escolas familiares agrícolas] e é interessante quando uma pesquisa mostra algo inesperado, porque normalmente elas mostram confirmações do que já existe.”
Resgate da Cultura do Campo
Segundo Janine, o MEC vai agora dar mais visibilidade e ir atrás da experiência dessas escolas para “aprender com elas”. São instituições comunitárias geridas por associações de moradores e sindicatos rurais vinculados à comunidade. “Nesse sentido é a melhor escola privada do Brasil e merece nosso destaque”, ressaltou Janine.
As Escolas Famílias Agrícolas (EFAs) são instituições de ensino vinculadas as organizações comunitárias e desenvolvem um trabalho voltado à formação dos jovens do campo. Sua metodologia de trabalho fundamenta-se na Pedagogia da Alternância, método criado na França em 1935 e trazido para o Brasil no final da década de 1960, por membros da Igreja Católica.
Trocas de experiências na comunidade
A Pedagogia da Alternância consiste numa metodologia de organização do ensino escolar que conjuga diferentes experiências formativas, que contempla períodos de alternados de vivência e estudo na Escola e na família. Neste caso, os educandos passam 15 dias em estudos e vivências na escola e 15 dias de estudos, vivências e pesquisas com a família e a comunidade. Por meio da Alternância o aluno analisa sua realidade através das atividades trabalhadas nos períodos escolares e a partir de observações constantes que faz no meio sócio-profissional, no meio familiar.
Desse modo, o trabalho de formação das Escolas Famílias permite que os conteúdos de ensino sejam verdadeiramente vinculados ao meio de vida do aluno. É uma formação que contempla ação-reflexão-ação, num processo contínuo e interminável, pois pressupõe que aprender é inerente à vida humana e que todo homem aprende sempre. A Alternância significa uma maneira de aprender pela vida, partindo da própria vida cotidiana, dos momentos experienciais, colocando assim a experiência antes do conceito.

Veja abaixo o ranking das dez melhores escolas privadas dentro dos critérios do Inep (escolas que atendem a alunos de nível baixo ou muito baixo):
1ª – Escola Família Agrícola de Caculé – Bahia
2ª – Escola Família Agrícola da Região de Alagoinhas – Bahia
3ª – Escola Família Agrícola por Alternância Manoel Monteiro de Lago do Junco – Maranhão
4ª – Colégio Super – Maranhão
5ª – Escola Família Agroecológica de Aracuai – Minas Gerais
6ª – Escola Família Agrícola Puris de Araponga – Minas Gerais
7ª – Escola Família Agrícola José Nunes da Mata – Bahia
8ª – Casa Familiar Agroflorestal do Baixo Sul da Bahia – Bahia
9ª – Casa Familiar Rural de Igrapiuna – Bahia
10ª – Escola Familiar Dom Edilberto IV – Piauí
Fonte: http://www.ebc.com.br

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Projeto vai construir 186 cisternas escolares no semiárido piauiense

O Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido está desenvolvendo o Projeto Cisternas nas Escolas que tem como objetivo levar água de qualidade às escolas do semiárido do Estado, através de cisternas de 52 mil litros.
Além da construção das tecnologias, o projeto prevê a capacitação de profissionais das escolas, como professores, em cursos de gerenciamento de recursos hídricos e Educação Contextualizada. Estimulando que as escolas trabalhem o conhecimento e valorização das realidades locais e a convivência com Semiárido.
O projeto vai construir 186 cisternas escolares de 52 mil litros em 15 municípios do semiárido piauiense, sendo 83 implementadas pela Cootapi em parceria com a Obra Kolping do Piauí e 103 construídas pela Cáritas Regional do Piauí. Além da construção das cisternas, cada escola receberá um recurso que deverá ser utilizado na melhoria do sistema de captação e distribuição de água na instituição, como instalação de caixa d’água elevada e encanamento.
Os municípios beneficiados serão Caracol, São Lourenço do Piauí, Dom Inocêncio, Curimatá, Avelino Lopes, Morro Cabeça no Tempo, Anísio de Abreu, Fartura do Piauí, Curral Novo, Jacobina, Simões, Campinas do Piauí,  Padre Marcos, Caridade e Betânia.
Para Raimundo João da Silva, coordenador da Obra Kolping do Piauí, o projeto vai muito além do simples fato de levar água para as escolas, pretende fomentar o desenvolvimento de práticas educativas contextualizadas no semiárido. A ideia é que através do trabalho com a cisterna os professores comecem a discutir mais sobre a realidade do semiárido, produzindo conhecimentos que levem os educandos a compreenderem melhor a região e suas potencialidades.

No Piauí, a Escola Municipal Liberato Vieira no município de Ipiranga (PI), foi uma das primeiras instituições de ensino contempladas com a cisterna de 52 mil litros. A partir da cisterna, a escola iniciou, com o apoio da Universidade Federal do Piauí, o debate da Educação Contextualizada, que resultou na construção uma horta escolar e do viveiro de mudas e na produção de alimentos sem agrotóxicos, garantindo alimentação saudável. “A cisterna foi uma coisa maravilhosa para nossa escola. Ela ajudou a envolver crianças, pais e mães, professores. Estamos com a proposta da horta que está sendo usada em nossa alimentação e pretendemos ampliar. Esta é uma ação muito importante”, colocou Reginalda Ribeiro, diretora da escola.
O Projeto Cisternas nas Escolas é uma realização da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA BRASIL), com o apoio do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), e pretende implementar 2.500 cisternas em escolas de 255 municípios da região até o final deste ano. A meta é a construção de 5 mil tecnologias até o ano de 2016.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Mais de 4 mil escolas do campo foram fechadas em 2014 no Brasil

Dados do Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostra que mais 4.084 escolas do campo foram fechadas em 2014 no Brasil. Se pegarmos os últimos 15 anos, essa quantidade salta para mais de 37 mil unidades educacionais a menos no meio rural.
Se dividirmos esses números ao longo do ano, temos oito escolas rurais fechadas por dia em todo país.
Dentre as regiões mais afetadas, norte e nordeste lideram o ranking. Só em 2014 foram 872 escolas fechadas na Bahia. O Maranhão aparece no segundo lugar, com 407 fechadas, seguido pelo Piauí com 377.
Há tempo que estes números preocupam entidades e movimentos sociais ligados ao campo e à educação, ainda mais pelo fato dos municípios mais pobres serem os mais afetados.
 
Para Clarice Santos, professora da Universidade de Brasília (UnB), “esses números revelam o fracasso da atual política de educação no campo”. Para ela, os instrumentos criados precisam ser revistos para que se alcance o resultado esperado. “Se por um lado existe um esforço do governo federal em ampliar o transporte escolar rural, por outro, esse esforço não é o mesmo para evitar o fechamento das escolas”, exemplifica. “Não faz sentido pensarmos em transporte sem alunos. Ou seja, é um conjunto de critérios que demonstram as falhas das atuais políticas educacionais", ressalta Santos.
De acordo com Erivan Hilário, do setor de educação do MST, o fechamento destas escolas representa um atentado à educação, um direito historicamente conquistado. "O fechamento das escolas no campo não pode ser entendido somente pelo viés da educação. O que está em jogo é a opção do governo por um modelo de desenvolvimento para o campo, que é o agronegócio”, aponta.
Segundo Erivan, a situação que vivemos “não está isolada desta opção, porque o agronegócio pensa num campo sem gente, sem cultura e, portanto, um campo sem educação e sem escola”. Ele observa que ao mesmo tempo em que há fechamento sistematizado das escolas no campo, o número de construções de novas unidades educacionais nos centros urbanos têm crescido.
“Esse é um dado importante de ser analisado. O fechamento das escolas do campo contribui para o êxodo rural, além de consolidar o papel do agronegócio nessas regiões com a priorização dos lucros”, ressalta.
Além da falta de escolas, outro fenômeno observado é a chamada “nucleação”, quando várias unidades escolares são concentradas numa “escola pólo”. Isso tende a minar cada vez mais a educação já cambaleante nestas regiões, dificultando o processo de aprendizagem e crescimento de crianças e jovens.

O jogo de empurra-empurra

A falta de investimento das prefeituras locais é apontada como um dos grandes motivos para o fechamento das escolas no campo. As prefeituras, por sua vez, alegam que o número de alunos matriculados não é o suficiente para manter novas unidades educacionais. Porém, o fechamento dessas escolas atingiu cerca de 83 mil alunos em todo o país.
De acordo com Erivan, mesmo nas regiões onde existem vagas, sobra precariedade. Das 70.816 instituições na área rural registradas em 2013 (uma década antes eram 103.328), muitas delas continuam sem infraestrutura adequada, biblioteca, internet ou laboratório de ciências. Outro ponto de alerta é a falta de adequação do material didático.
Sem falar da adoção de conteúdos, práticas e atividades distantes do universo cotidiano e simbólico dos alunos camponeses, quilombolas ou ribeirinhos, bem como aponta Erivan.

Falta fiscalização do poder público e da sociedade

Lançada em 2014, a Lei 12.960 tinha como objetivo mudar as Diretrizes e Bases da Educação (LDB), e um dos pontos previstos era justamente aumentar o grau de exigência para que uma escola fosse fechada, mas na prática não foi o que aconteceu. Neste caso, o grande problema é a falta de fiscalização, tanto dos órgãos públicos quanto da população.
Para Erivan,“o MEC institui as portarias, as leis são sancionadas, mas, na prática, quem tem o poder de fechar as escolas é o município. Se o município alega falta de alunos e de verbas, as escolas acabam sendo fechadas, e políticas que poderiam impedir esse fato não são colocadas em prática”.
Os movimentos sociais alertam para a necessidade de criar uma ampla articulação entre os movimentos e os órgãos públicos responsáveis pela fiscalização das políticas públicas com o intuito de garantir a população do campo, principalmente às crianças e os adolescentes o direito de ter acesso a educação de qualidade em suas comunidades.
Relação completa das escolas do campo fechadas em 2014
Fonte: Página do MST

domingo, 7 de junho de 2015

Escola realiza mapeamento das potencialidades do semiárido

As riquezas do semiárido brasileiro são pouco conhecidas pela maioria da população devido à ausência de estudos sobre estes temas nas escolas e à falta de divulgação nos meios de comunicação. Com o propósito de ampliar os estudos e a produção de conhecimentos sobre as potencialidades socioeconômicas desta região, a Escola Municipal Liberato Vieira realizou no mês de maio/2015, um mapeamento das potencialidades socioeconômicas em 10 comunidades no município de Ipiranga, no semiárido piauiense.
O mapeamento foi realizado pelos estudantes do 1º ao 9º ano, envolvendo 124 famílias e 445 pessoas, quase 50% do total de famílias que vivem na região do Brejo da Fortaleza, zona rural do município de Ipiranga. Com este trabalho, os estudantes tiveram a oportunidade de conhecer as principais potencialidades da comunidade, principalmente aquelas relacionadas às atividades agrícolas e a pecuária, principal fonte de renda da região.
De acordo com os alunos, chamou a atenção o grande número de famílias que não tem a posse da terra e desenvolvem suas atividades como meeiros e/ou arrendatários. Além disso, observou-se que há muito desperdícios de frutas que poderia ser utilizadas na produção de doces, polpas e geleias.
Constatou-se também que são poucas as famílias que produzem para a comercialização. A maioria limita-se à produção para o consumo, talvez devido à pequena área para produção e a ausência de políticas no município que fomente a comercialização da agricultura familiar.
Para Graziely Veloso, aluna do 8º ano, o trabalho foi muito importante para que os estudantes pudessem conhecer melhor as potencialidades da comunidade, interagir e trocar experiências com as famílias. Por outro lado, ela acrescenta que este trabalho de pesquisa na comunidade foi importante para o desenvolvimento da autonomia e da autoconfiança dos estudantes, já que no inicio das atividades muitos achavam que não iam conseguir atingir os objetivos proposto.
Na última sexta-feira (05/06), a equipe pedagógica da escola participou de uma Oficina Pedagógica sobre Educação contextualizada no Semiárido, realizada pela Rede de Educação no Semiárido e a Universidade Federal do Piauí, com o propósito de aprofundar a discussão com os professores, os alunos e os pais sobre o mapeamento da realidade, visualizando as atividades que poderiam ser realizadas para contribuir com a melhoria da qualidade de vida das famílias.
Durante a Oficina, os professores também tiveram a oportunidade discutir as estratégias pedagógicas que serão desenvolvidas no processo sistematização e organização dos conhecimentos extraídos do mapeamento da realidade. Devido o volume de informações e a complexidade destes dados, tornou-se necessário organizá-los em eixos e sub-eixos temáticos com o propósito de estabelecer os diálogos interdisciplinares entre os dados da pesquisa e os conhecimentos escolares, visando o desvelamento dos fatos e a compreensão aprofundada dos aspectos sociais, políticos, econômicos e culturais que estão implícitos na vida do sertanejo.
Horta Pedagógica
Para o professor da Universidade Federal do Piauí, Elmo de Souza Lima, que assessora o projeto de educação contextualizada na escola, não basta extrair os dados da realidade, é necessário desenvolver um trabalho pedagógico criterioso com estes conhecimentos com o intuito de levar os educandos a ampliarem o olhar sobre o contexto no qual estão inseridos, superando as visões ingênuas e simplificadas da realidade.
Viveiro de Mudas
Com o propósito de aprofundar os estudos contextualizados no semiárido, a Escola Municipal Liberato Vieira desenvolve também intercâmbios de experiências e aulas de estudos e pesquisas na comunidade. Além disso, construiu na escola uma horta pedagógica e um viveiro de mudas para a produção de plantas nativas e frutíferas.